Estudo recomenda exercícios físicos
Manoel Gomes Camargo Netto, que não conseguia caminhar até a padaria perto de casa há cerca de dois anos, ficou desconfiado quando a médica lhe propôs fazer ginástica para auxiliar no controle da insuficiência cardíaca. O aposentado de 66 anos fez parte de um grupo de 12 pacientes com a síndrome que conseguiram melhorar a capacidade cardiorespiratória e o condicionamento físico fazendo exercícios controlados três vezes semana. Eles participaram de uma pesquisa inédita da cardiologista Fabiana Roveda, do Incor. O trabalho foi realizado com a Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA) e premiado no último Congresso Brasileiro de Cardiologia. Os pacientes usavam medicamentos quando começaram os testes e continuaram durante a pesquisa. "Agora até voltei a fazer pequenos trabalhos, ando sozinho, dirijo", diz Camargo Netto. O estudo mostrou que o exercício físico diminui pela metade a atividade do sistema nervoso simpático (parte do sistema nervoso autônomo) responsável pela descarga de hormônios que aumentam as batidas do coração e diminuem a quantidade de sangue que passa pelos vasos sangüíneos. Os benefícios alcançados com os exercícios foram tão expressivos que a atividade nervosa simpática e o fluxo de sangue nos vasos dos pacientes com a síndrome foram comparados àqueles de pessoas saudáveis, após quatro meses de exercício físico. "Quanto maior a atividade nervosa simpática, maior é a mortalidade de pacientes com insuficiência cardíaca", diz o diretor da unidade de reabilitação cardiovascular e fisiologia do exercício do Incor, o fisiologista Carlos Eduardo Negrão, orientador da tese.
Fonte: Jornal Folha de São Paulo
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